Nos últimos tempos, vimos uma ascensão de polêmicas envolvendo canais brasileiros acusados de roubar conteúdo de canais americanos. Os dois casos de maior proporção são os canais PenseGeek da Mariana Delveccio, conhecida na Internet como Satty, e Mateus Hwang. E hoje vamos explicar o que aconteceu e discutir a questão do plágio no YouTube.

Satty (PenseGeek)

Satty foi pega plagiando vídeos do canal Mother’s Basement, principalmente com conteúdo sobre animes e cultura japonesa, onde Satty não fez questão nem mesmo de ocultar ou modificar as piadas criadas pelo influenciador original. A situação piorou com Satty vindo a público e tentando justificar o injustificável e insistindo que seus vídeos não copiaram ninguém, mesmo dezenas de evidências comprovando as acusações claramente.

Veja abaixo o próprio dono do canal Mother’s Basement, Geoff Thew, apontando os plágios da Mariana. O influenciador recebeu ajuda de fãs brasileiros para traduzir o vídeo em português, confira.

Mariana desapareceu das redes sociais e da Internet em geral depois que a situação tomou proporções gigantescas e até mesmo colocou seus vídeos em privado. Atualmente o canal dela apresenta – ironicamente – a mensagem “este canal não tem nenhum conteúdo”.

Satty e Mateus Hwang: plágio descarado de canais gringosOutra ironia na situação foi Mariana ter feito um vídeo onde falava do “fim da criatividade no YouTube” pouco tempo antes de ser exposta.

Mateus Hwang

Mateus Hwang conseguiu ser ainda mais cara de pau. Basicamente ele possuía diversos vídeos em seu canal onde mostrava toda sua habilidade tocando teclado e piano, fazendo incríveis covers de músicas.

O problema é que Mateus nem mesmo toca algum instrumento. Na realidade o influenciador foi pego roubando vídeos de outros canais. Marcas d’água e rostos dos criadores originais foram cortados com a ferramenta crop, brilho e contraste foram alterados e outras pequenas alterações foram feitas para distanciar o vídeo plágio do original. Em outros casos, ele aparece “tocando” teclado ou piano, mas sem mostrar o instrumento em si, enquanto gesticula como se estivesse realmente tocando com as mãos fora da visão da câmera e colocando o áudio de vídeos roubados na edição.

Eric Kotzian, um dos plagiados por Mateus, fez um vídeo no mesmo estilo do Geoff anteriormente, apontando os truques e artimanhas usados pelo criador brasileiro. Novamente, o vídeo possui legendas em português, confira.

Diferentemente da Satty, que parece ao menos ter se arrependido, Mateus continua postando vídeos em seu canal normalmente. Apesar de ter feito um vídeo de desculpas (logo depois de ter feito um outro onde ironizava a situação, que foi deletado), no momento o youtuber encontra-se recebendo muito mais “não gostei” do que o habitual.

Casos mais antigos

Por mais incrível que pareça, houveram situações similares antigamente. Quem olha para o Porta dos Fundos hoje nem imagina que já foram acusados de copiar um canal bem menor. O vídeo “Dura” do canal de Fábio Porchat e cia., postado em 2014, aparenta ter plagiado o vídeo “O Troco” do canal Márcio Menezes, postado em 2006. Tire suas próprias conclusões assistindo o suposto plágio Dura e o suposto original O Troco. Note que na descrição do vídeo “O Troco” existe a frase “Dura policial”, que se tornou título do vídeo supostamente plagiador. Fábio se defendeu dizendo que realmente é a mesma ideia, mas foi coincidência e jamais copiariam um roteiro.

Mussoumano também foi um dos acusados com graves evidências de ter copiado o canal estrangeiro Mac Lethal, com ambos postando videoclipes em 2015 trazendo a mesma ideia: cantar rap de cabeça para baixo com as mãos atadas. Lembrando que o vídeo de Mac Lethal foi postado bem antes. E a síndrome do “não copiei mesmo com provas indiscutíveis mostrando o contrário” também se aplica aqui, pois Mussoumano rebateu as acusações até o fim e nunca admitiu o plágio, nem a inspiração no vídeo do Mac Lethal. Confira abaixo uma comparação entre o plágio e o original.

E a pergunta que aparece no vídeo comparativo persiste: foi inspiração ou plágio?

Opinião final

A inspiração termina onde o plágio começa. E o mais importante para esses criadores fazerem agora que a situação tomou proporções tão grandes é admitir o erro e reconstruir sua imagem pública; não sumir da Internet sem se explicar ou fazer vídeos tentando justificar evidências claras de cópias.

Os criadores precisam perceber que mais vale criar seu conteúdo original do que se arriscar com conteúdos traduzidos, sem nem mesmo dar créditos. Fazer versões de conteúdos estrangeiros é possível e não é novidade, mas apenas quando houver autorização do criador original. Entrar em contato e pedir algo assim não é nada difícil e facilmente ambos podem chegar num acordo amigável. Um shout out divulgando o outro canal ou outras formas de compensação. Porém, digo isso no caso da Mariana (Satty), do canal PenseGeek, pois no caso do Mateus Hwang não há nem mesmo como defender, foi uma vergonha alheia absurda. Também há maneiras de fazer sua própria versão de um vídeo estrangeiro, usando como inspiração sem extrapolar os limites da cópia. E o melhor é que qualquer criador pode fazer isso protegido dentro das leis de direitos autorais.

Duas situações bastante constrangedoras para ambos os criadores, imagino eu. Aquilo que tenho dito em outros artigos de opinião nos últimos tempos volta a se repetir aqui: o YouTube virou uma plataforma onde fama e dinheiro acabaram com a criatividade. Vendo que seria fácil detectar plágios de canais que falam a mesma língua, alguns youtubers desesperados partiram para copiar canais estrangeiros, acreditando que ninguém iria perceber. O famoso “vai que cola”.

Acontece que perceberam. Não colou. Não só um criador mas dois de uma vez só. Mariana e Mateus não foram os primeiros e não serão os últimos, tenho certeza que mais canais vão surgir no futuro sendo acusados de algo parecido. Como vimos, outros exemplos no passado já aconteceram e não serviram de lição. A Internet pode ser um lugar imenso ás vezes, fácil de se perder dentro dela ou acreditar que ninguém perceberia certos plágios; mas os olhos da Internet tudo enxergam e sempre vão haver aqueles mais atentos à detalhes.