Foto: GoldMine

Hoje, muita gente reclama do YouTube como uma plataforma não receptiva a novos criadores e cruel com os que ainda dependem exclusivamente dela. Mas sempre foi assim? É de hoje que o os criadores viraram simplesmente bonecos controlados pelo algorítimo?

Desde sua compra pela Google, o YouTube teve várias mudanças, seja em seu algorítimo, seja em sua interface. E junto mudaram os criadores, os tipos de conteúdo e sua qualidade, tanto visual quanto roteiro e produção, variando desde vlogs de pessoas normais contando sobre sua própria vida em frente à câmera, criticando algo, ou superproduções dignas de Hollywood.

O YouTube, em 11 anos, flutuou entre tendências e criou muitas delas. Vários criadores de conteúdo foram e vieram, mas sempre atingindo o mesmo público-alvo, que são jovens e crianças, que têm mais tempo para consumir a plataforma. Muito por causa disso, alguns criadores seguem a influência do público-alvo sempre se adequando às “modinhas” vigentes daquele período, como por exemplo a mania dos fidget spinners, 100 camadas, ice bucket challenges, entre outros.

O ponto em dar esses exemplos é que sempre existiram os criadores que não quiseram se render a essas tendências e sofreram por não se adequar ao algorítimo, assim como aconteceu na ascensão dos canais de let’s play, por volta dos anos de 2009-2012, em que canais que faziam esse tipo de conteúdo tiveram seu número de inscritos e likes incrivelmente inflados, já que naquela época o algorítimo favorecia, além de outros fatores, o tempo assistido de vídeo.

Considerando um escopo mais atual, conteúdos publicados por canais como o dos Irmãos Neto são favorecidos pelo tempo de visualização e pela frequência de postagem, coisa que, por mais que você não goste desses vídeos ou de como eles lidam com os fãs, você tem que admitir que eles tiveram uma visão a “longo prazo” muito incrível.

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Mas por que eu estou valorizando a visão de plataforma deles? Simples, eles começaram a fazer esse tipo de conteúdo ao final do ano passado, quando Luccas Neto percebeu que o “gênero treta” – se é que posso definir assim – estava em constante declínio, devido a quão absurda a situação estava ficando. Ele ficou em um hiato e tempos depois começou a fazer vídeos com um teor mais voltado à diversão, mais descontraídos e para outro público-alvo, assim, saindo do seu status de “Hater Sincero” para “Luccas Neto, a Foca de Nutella.”.

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Enquanto isso, vários outros criadores que tinham conteúdos mais embasados, que envolviam mais pesquisa e elaboração, como por exemplo o Core Das Antigas, tiveram que simplificar um pouco o formato, conseguindo, desse modo, aumentar sua periodicidade sem cair tanto a qualidade de conteúdo. Mas outros resolveram não ficar reféns daquilo que vem do YouTube e recorreram a plataformas externas de apoio, tais como o Apoia.se, o Padrim e o Patreon.

Existe sim, ainda, criadores que fazem um conteúdo mais elaborado e editado, que mantêm seu conteúdo no YouTube, mas eles já se espalharam por outras redes sociais e fazem vários trabalhos patrocinados, além de terem um público muito mais fiel e de longa data, tais como o Coisa de Nerd, Manual do Mundo, Canal Nostalgia e Damianizando, além daqueles que, mesmo produzindo por hobby, ainda mantêm uma boa periodicidade de vídeos, como o Canal Capslock, que publica reviews de jogos semanalmente, além de alguns outros vídeos mais elaborados. O dono do canal resolveu não abandonar seu emprego para se dedicar completamente ao YouTube.

O ponto é: não deveríamos reclamar quando youtubers fazem mudanças para continuar ganhando dinheiro com o algorítimo, mas deveríamos reclamar quando essas mudanças são bruscas, como a do Luccas Neto, que deixou isso completamente visível para seu público antigo, mudando seu foco sem mais nem menos, deixando toda uma base de fãs de lado por se sentir no dever de mudar seu conteúdo para agradar um novo público.

Então deveríamos apenas sentar e esperar que o público de hoje cresça e simplesmente esqueça esse tipo de conteúdo?

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