O Futuro Dobrável da Apple e as Lições de Hardware do Passado
20 Fevereiro 2026Há poucos anos, os smartphones dobráveis abriram as portas para um mundo totalmente novo na tecnologia móvel. Curiosamente, o mercado Android acabou se acomodando em apenas dois formatos principais. Hoje, vemos basicamente os modelos em formato de concha e aqueles dispositivos estilo livro, que simplesmente se abrem para duplicar a largura de uma tela normal. Com a aproximação do inevitável “iPhone Fold”, no entanto, parece que a Apple está de olho em reviver um design que marcas como o Google já tentaram emplacar. E existe um motivo muito claro para essa tentativa anterior não ter ido para a frente.
O Formato Que Quase Deu Certo
Nos primórdios dessa tecnologia, existiam algumas propostas de design bem diferentes circulando pelo mercado. O Galaxy Fold da Samsung apostou em uma tela externa alta que se abria para um display interno orientado verticalmente. A Huawei e outras empresas brincaram com aparelhos que dobravam para fora e ficavam mais largos quando fechados, assemelhando-se a um smartphone comum.
Mas foi um modelo em formato de livreto, curto e robusto, que realmente chamou a atenção na época. Ele era mais grosso, porém entregava uma experiência de hardware fantástica. A tela externa era mais curta e larga do que a da maioria dos celulares, deixando o display interno com um aspecto muito mais semelhante ao de um tablet. Não era exatamente o formato 16:10 perfeito para consumo de mídia, mas essa proporção abria espaço para experiências bem divertidas. A Oppo seguiu essa mesma linha com o Find N2 em 2022, apresentando uma peça de hardware verdadeiramente incrível. No ano seguinte, vimos o primeiro dobrável do Google, o Pixel Fold, adotar essa mesma filosofia.
O Google pegou o design que a Oppo vinha utilizando e o deixou um pouco maior. Isso tornou realidade a ideia de carregar um verdadeiro tablet no bolso. A proporção de tela escolhida tornava o dispositivo melhor para o consumo de mídia do que os Galaxy Z Folds daquela geração, oferecendo também um espaço horizontal mais amplo para que os aplicativos se ajustassem aos seus layouts de tablet. Apesar de apresentar algumas falhas estruturais que só pioraram com o envelhecimento do aparelho, o Pixel Fold entregava uma experiência surpreendente.
A Realidade dos Aplicativos e a Vitória da Samsung
Essa ideia do formato passaporte era brilhante. Ainda assim, isso não impediu a Samsung de seguir em frente com o seu design alto e estreito, mesmo sendo frequentemente criticada pela baixa usabilidade da tela externa do Galaxy Z Fold.
O grande problema do formato mais largo, adotado tanto pela Oppo quanto pelo primeiro Pixel Fold, estava nos aplicativos. A simples realidade da época era que o aspecto de tela causava muitas dores de cabeça. Para cada aplicativo que funcionava bem na tela mais ampla de um dobrável largo, existiam vários outros que beiravam o inutilizável. A Samsung levou a melhor porque a sua configuração de tela atendia melhor ao ecossistema de softwares que existia.
Telas internas mais altas e ligeiramente mais quadradas podem não ser ideais para o consumo de vídeos, mas a verdade é que elas lidam muito melhor com a maioria dos aplicativos. Quando um software do Android tem dificuldade de se adaptar a uma tela grande, o problema quase sempre esbarra no layout horizontal. A menos que seja uma tela de tablet em tamanho real, muitos apps simplesmente não sabem o que fazer com aquele espaço intermediário que o Pixel Fold original oferecia. Uma tela mais larga, mas que ainda mantenha a orientação retrato, acaba sendo muito mais amigável para os desenvolvedores. Como dono de um Galaxy Z Fold 7, confesso que ainda encontro algumas bizarrices nos aplicativos o tempo todo, mas a experiência geral tornou-se bastante sólida hoje em dia.
Se pudéssemos voltar no tempo, o cenário poderia ter sido outro. Nos últimos anos, o Google fez um grande esforço no sistema Android para tornar os aplicativos mais adaptáveis a diferentes tamanhos de tela. Isso é crucial não apenas para os dobráveis, mas para todos os outros formatos do presente e do futuro, como óculos inteligentes e desktops. Se a empresa tivesse dado esse mesmo empurrão cinco anos atrás, antes da estreia do seu primeiro dobrável, a mudança brusca de formato que vimos no Pixel 9 Pro Fold e no Pixel 10 Pro Fold muito provavelmente não teria acontecido. O próprio Google confirmou que a alteração de design ocorreu justamente porque os aplicativos da época não estavam prontos para suportar as duas telas largas.
O Legado de Excelência da Apple
É exatamente nesse cenário de tentativas, acertos e problemas de software do universo Android que a Apple estrutura a sua entrada na categoria de telas flexíveis. A empresa costuma construir o futuro baseando-se em um legado de hardware extremamente sólido. Para entender o peso de um lançamento como o iPhone Fold, basta olhar para o passado e analisar o padrão de excelência técnica de modelos como o iPhone 12 Pro Max.
Com disponibilidade datada a partir de março de 2020, esse gigante da Apple redefiniu o que esperávamos de um topo de linha. O corpo de 228 gramas, medindo 160.8 x 78.1 x 7.4 mm, abrigava uma bateria de Lítio de 3687 mAh e garantia total resistência à água. A conectividade também mostrava força, suportando redes 5G, LTE, HSPA+ e GSM Quad Band (850/900/1800/1900), com a flexibilidade de um sistema Dual Sim composto por um chip Nano e um eSIM.
Na parte visual, a tela Super Retina XDR OLED de 6.7 polegadas ainda é uma referência. O display operava a 60 Hz e entregava um espetáculo de 16 milhões de cores através de uma resolução de 1284 x 2778 pixels, resultando em uma densidade altíssima de 458 ppi sob a proteção do durável Ceramic Shield. Operando inicialmente no iOS 14, o smartphone era impulsionado pelo imponente chipset Apple A14 Bionic de 64 bits. Esse processador contava com dois núcleos Firestorm de 3.1 GHz focados em alto desempenho e quatro núcleos Icestorm de 1.8 GHz voltados para a eficiência energética, trabalhando ao lado de uma GPU de 4 núcleos. O conjunto trazia ainda 6 GB de RAM e robustos 512 GB de memória interna sem opção de expansão via cartão.
O Padrão de Câmeras e Conexões
A fotografia no iPhone 12 Pro Max sempre entregou resultados cinematográficos. O painel traseiro possuía um sistema triplo de 12 Mp, com aberturas F 1.6, F 2.4 e F 2.2, capaz de gerar imagens de 4000 x 3000 pixels. A câmera oferecia recursos avançados como estabilização ótica, foco automático e por toque, flash Dual LED, HDR, marcação de localização e detecção facial. O módulo também incluía sensores de tamanho 1/3.4″ e 1/3.6″, um ângulo máximo de visão de 120 graus e um excelente zoom ótico de 2.5x. A lente frontal, também com 12 Mp e abertura F 2.2, acompanhava o mesmo padrão de qualidade.
A gravação de vídeo não ficava atrás. O aparelho capturava em 4K (2160p) a 60 fps em ambas as câmeras, oferecendo estabilização de vídeo, autofocagem contínua, opção de captura de foto durante a filmagem, gravação de som estéreo e vídeo HDR. O poderoso modo Slow Motion alcançava fluidos 240 fps, enquanto a câmera frontal contava ainda com detecção de face e estabilização eletrônica (EIS).
O dispositivo era uma central de comunicação e sensores completa. A navegação contava com suporte GPS robusto, englobando A-GPS, GLONASS, BeiDou, Galileo e QZSS. A conectividade local incluía Wi-Fi moderno (802.11 a/b/g/n/ac/6), Bluetooth 5.0 (A2DP/LE), conexão USB proprietária 2.0 e NFC. Internamente, o aparelho vinha equipado com acelerômetro, sensor de proximidade, giroscópio, bússola, microfone com redução de ruído e barômetro. Embora não possuísse rádio FM ou TV, ele garantia utilidades fundamentais, como viva-voz, vibração e a capacidade de funcionar como um ponto de acesso Wi-Fi (hotspot).
Com um histórico técnico tão refinado, é de se esperar que a Apple consiga equilibrar o hardware de um novo formato dobrável com a otimização de software exigida pelo iOS. A grande pergunta que fica é se o iPhone Fold conseguirá finalmente popularizar os designs mais largos que o Android não conseguiu sustentar no passado.
