A nova estratégia da Apple: Superpacote de apps criativos e a aposta no iPhone dobrável
21 Janeiro 2026A Apple decidiu reorganizar suas ofertas de software profissional com o lançamento do Apple Creator Studio, uma nova assinatura que agrupa seus aplicativos criativos mais potentes em um único plano. À primeira vista, pode parecer apenas uma medida de organização interna, mas um olhar mais atento revela um esforço estratégico para posicionar o Mac e o iPad como ferramentas primárias de criação, e não apenas como acessórios de suporte.
O ecossistema criativo unificado
O Creator Studio reúne gigantes como Final Cut Pro, Logic Pro e Pixelmator Pro, além de ferramentas complementares como Motion, Compressor e MainStage. A proposta é similar à da Adobe Creative Cloud: o apelo vai além de um único aplicativo. Edição de vídeo, áudio, imagens, documentos e apresentações agora residem sob uma única assinatura, projetada para levar o trabalho da ideia à exportação com menos atrito. Para quem já cria no ecossistema da Apple, isso soa menos como uma reinvenção e mais como uma formalização de como essas ferramentas já são utilizadas na prática.
Além da consolidação, a assinatura desbloqueia novos recursos inteligentes e conteúdo premium no Keynote, Pages e Numbers, com o Freeform programado para ser incluído futuramente. Vale notar que a Apple não está abandonando seus aplicativos de produtividade gratuitos. Eles continuam pré-instalados nos dispositivos, mas o Creator Studio adiciona uma camada extra. Estamos falando de ferramentas mais inteligentes, modelos premium e recursos assistidos por IA focados em economizar tempo, não apenas em melhorar a estética. É uma evolução do iWork, onde apps familiares ganham uma roupagem mais profissional quando necessário, aproximando a estratégia da Apple à do Microsoft Office, onde a escrita assistida por IA e sugestões de layout já vivem atrás de uma assinatura paga há anos.
O serviço estreia nesta quinta-feira, 29 de janeiro. Os preços confirmados para a Austrália são de AUD$ 19,99 por mês ou AUD$ 199 por ano, incluindo um teste gratuito de um mês, além de um plano educacional com desconto significativo.
Junto ao anúncio, a empresa introduziu novidades nos apps. O Final Cut Pro ganha a Detecção de Batida, que usa um modelo de IA para analisar músicas e visualizar as batidas na linha do tempo, facilitando cortes no ritmo certo. Já no Logic Pro, a novidade é o Synth Player, um novo músico de sessão baseado em IA capaz de gerar performances realistas de sintetizador e baixo, além do Chord ID, que transforma áudio em progressões de acordes prontas para uso.
O futuro do hardware e o olhar dos investidores
Enquanto a gigante de Cupertino refina sua estratégia de software, o mercado financeiro volta suas atenções para o hardware. Se você não está emocionalmente preparado para um iPhone dobrável, é bom se preparar como investidor, alerta Atif Malik, analista do Citi. A previsão é de que a Apple inicie uma rápida escalada na produção de iPhones dobráveis começando no final deste ano e se estendendo até 2027.
Espera-se que o dispositivo faça sua estreia no lançamento anual de outono da Apple, juntamente com os modelos iPhone 18 Pro e Pro Max. Com um preço premium estimado em cerca de US$ 2.000 e considerando o cronograma de lançamento, a projeção é de um envio limitado de cerca de 8 milhões de unidades em 2026 — o que representaria aproximadamente 3% do total de iPhones despachados —, crescendo para 20 milhões de unidades em 2027. Apesar de manter a recomendação de compra, o analista reduziu seu preço-alvo das ações de US$ 330 para US$ 315, citando riscos de margem devido ao aumento nos preços dos chips de memória.
Desafios no mercado de ações e ciclo de atualização
O cenário na bolsa não tem sido dos mais fáceis. As ações da Apple ficaram praticamente estagnadas por mais de um ano, enquanto investidores migravam para nomes mais focados em IA, como Nvidia e Microsoft. Somam-se a isso as renovadas tensões comerciais entre a administração Trump e mercados-chave da Apple na Europa e China. Os papéis da empresa ficaram atrás do S&P 500 no último ano, e o início de 2026 não trouxe alívio, com uma queda de 6%, empatando com a Meta como o pior desempenho entre as “Sete Magníficas”.
Para tentar reverter esse quadro, a Apple fechou um acordo importante com o Google, onde os modelos Gemini e a tecnologia de nuvem impulsionarão a próxima geração de IA da Siri. Embora alguns especialistas vejam o acordo como uma admissão de que a Apple está atrasada na corrida da IA, outros argumentam que, pelo menos, a empresa está agora efetivamente no jogo.
Secundariamente, o tão falado iPhone dobrável criaria um motivo novo para os consumidores atualizarem seus aparelhos. Dados da Consumer Intelligence Research Partners mostram que mais de um terço dos novos compradores de iPhone nos EUA mantiveram seus telefones anteriores por três anos ou mais. A porcentagem de compradores com telefones de dois anos ou mais subiu para 70% em 2024, evidenciando que o ciclo de troca está cada vez mais longo.
